Quadrilha
São cinco da manhã e o táxi pára perto da Faria Lima, Pinheiros, entra um casal que parecia uma coisa só e o rapaz dá o endereço nas Perdizes e se jogam no banco de trás enroscados se beijando e se pegando em todas as partes, é o que vê pelo retrovisor estratégico o tiozinho taxista meio gordo e já careca com bastas costeletas brancas ficando de pau duro viajando na cena resfolegante indo cada vez mais devagar embora o rapaz peça para que ele corra até chegar à rua Cayowaa quando o rapaz tira uma nota de cinqüenta e joga para o taxista dizendo é aqui, olha isso dá pra ela ir até a casa dela, eu vou entrar porque os meus pais estão me enchendo o saco por causa do horário e dá um beijo na garota loira saindo do carro correndo enquanto o taxista pergunta para onde vamos, moça? ela bufa e responde Vila Madalena, mexendo nos cabelos loiros nervosa e acendendo um cigarro na seqüência sem desviar dos olhos caídos do taxista impressionado, batendo a cinza pela janela ela começa eu não agüento mais essa conversinha de meus pais vão me encher o saco, a puta que o pariu!, você viu o estado em que ele me deixou? isso não é coisa que se faça com a namorada ou com mulher nenhuma, e o senhor quer saber de uma coisa? quer saber de uma coisa? ela repetiu e o tiozinho nervoso mas de pau duro o quê, moça? isso não vai ficar assim, pára o carro agora mesmo, mas aqui, moça? é aqui mesmo debaixo dessa árvore e então o táxi parou e ela desceu do banco de trás e pulou para o banco da frente e daí para o colo do taxista puxando a meia-calça preta de lado deixando entrever a xota molhada e já indo para o cinto do tiozinho vai ser com o senhor mesmo, o seu pau tá duro, não tá? põe a mão na minha bunda, gemeu ela, assim, puxando, isso, e apertando as mãos do taxista apalermado com uma mão enquanto com a outra puxava de dentro da cueca verde dele o pau já um pouco úmido, vai, trazendo a calcinha toda para uma virilha ela foi e pediu me fode gostoso enquanto pulava com toda a força do púbis sobre o pau do tiozinho que ganiu, ai moça, ao mesmo tempo em que caía de boca nos peitos resplandecentes da loira que pulava e pulava gritando seu puto, seu puto, fode minha buceta assim, seu puto, seu babaca, liga esse carro agora, mas como, minha filha? liga essa porra senão eu te mato, ele tira a mão da bunda dela e gira a chave no contato pra onde vamos, moça? vamos, seu puto, voltar pra casa dele, mas, minha filha, pára com essa merda de me chamar de tua filha, você por acaso fode gostoso assim a xoxotinha da sua filha, hein? e sem querer ele pensa na filha de quatorze dormindo no berço com os peitinhos despontando debaixo do lençol, já que ela tirou a camiseta por causa do calor que era tanto que do meio do sono ela jogou para longe o lençol e ficou só de calcinha e peitinhos apontando para o pai que agora chupava seios e faróis altos explodindo no meio das ladeiras da Vila Madalena, para onde vamos, filhinha? nós vamos voltar pra casa dele, seu velho gostoso, mas e se ele ver? ele não vai ver, eu só quero ficar na frente da guarita do prédio dele, pra que o porteiro veja e conte, gemia ela na orelha do tiozinho com extrema dificuldade em mudar de marchas, tentando manter a terceira mas com a primeira já mandando brasa e aí conte para o zelador e o zelador pro síndico e o síndico pra mulher e a mulher para a vizinha e a vizinha pra filha e a filha pro irmão e o irmão pros amigos até chegar depois de toda a torcida do Corinthians no ouvido dele, gemia a loira no ouvido do tio que sentia as calças encharcadas da enxurrada que jorrava das pernas da menina lhe lambendo a carne rugosa do pescoço, seu velho gostoso, pulava feito cabrita enquanto da direção contrária um caminhão quase bateu no táxi, é aqui, mordeu ela, pode parar, mas não pára, puxa o breque de mão, imbecil, agarrou a mão do velho e levou-a até sua bunda de estátua suada mete o dedo no meu cu, isso, mete dois, gritou, fundo, lá no fundo, eu quero sentir seu pau encontrando tua mão dentro da minha bunda, vai, me machuca, me deixa louca, apertou o botão do vidro e o desceu e gritou Tiago!, Tiago, moça, não chama ele não que ele me mata, mata nada, é um cuzão, caga de medo dos pais, não vai ter medo de você? me diz, você tem uma filha, é por isso que você me chama de filhinha? não, moça, vai, mete esse pau grosso lá dentro, e arrancou casaco e corselete explodindo os peitos acetinados no rosto do tiozinho, como é que chama a sua filha? minha filha, gemeu o taxista, não acreditando que seu pau ainda estava duro depois de tanto tempo, Tiago! como ela chama? Maria, puxa, mas Maria é o nome da minha sogra, ela geme, Tiago! uma sombra ondula em uma janela do prédio cujo vigia já está mandando ver uma punheta na guarita inconformado com o taxista comendo a loirinha namorada do rapaz do 71, parecia tão séria da outra vez mas desta de repente tira a buceta de cima do pau do tiozinho e gira as pernas sobre ele apertando com os peitos a buzina e reclamando porra, não dá pra botar esse banco pra trás? o que o tiozinho faz com muita dificuldade pois a bunda da loira está escancarada à sua frente, me fode no cu, eu quero que você me foda no cu, vai, me abre e mete esse pau gostoso lá dentro, Tiago! Tiago! ela urra quando o pau do taxista entra rasgando e a sombra no sétimo andar melhor se distingue, na verdade é uma silhueta em movimento, como o jovem vigia dentro da guarita puto com a sorte dos outros, Bíblia aberta no Salmo 23, o Senhor é meu pastor, nada me faltará, Tiago, sou eu, me chama de Maria, pede ela, moça, não, gagueja o tiozinho lembrando de sua filhinha na cama com os peitinhos duros e o suor deslizando pelas axilas e as mãos escondidas entre as pernas apertadas pois sonhava com um garoto da escola, o garoto mais velho do time de futebol, por favor, velho gostoso, me chama de Maria, Maria, ele geme, Mariazinha, isso, me fode com força no rabo, me fode com força no rabo é o que parece dizer uma sombra à outra na janela do sétimo andar, Tiago! Maria! ela puxa a cabeça do tio junto à sua nuca, me machuca, me morde, ele morde, agarrando a loira forte pelas ancas e gemendo Maria, e você quer saber?, Mariinha, isso, Maria também é meu nome, diz Maria, e qual é o seu, velho gostoso? me morde na nuca, Maria, Maria na cama brincando com seu clitóris na madrugada em que o pai chegou para encontrar sua filhinha dormindo no quarto excitada com o garoto da escola, ela que sonhava com um romântico quarto-zagueiro nem sonha que o pai se masturba à entrada do quarto, mão dentro das calças, enquanto vê Mariinha morder o colchão molhado de calor, como o calor que invade o peito do vigia desgraçado na guarita escura gozando sobre a Bíblia, como o calor que invade o ânus da loira quando o taxista goza Maria! Maria! Tiago! você não ia acreditar qual é o meu nome, minha filhinha, arfa o tiozinho, Tiago! sou tua! eu te amo! grita ela, que também goza, junto com Tiago, o namorado, que resolveu descerrar a cortina da sala, em que goza na bunda de uma mulher mais velha e estranhamente parecida com ele, e ela também goza, pedindo diz que me ama, Tiago, que grita eu te amo, Maria, eu te amo!, acordando todas as luzes de Perdizes, foi a melhor trepada que eu já dei na minha vida, a mulher me comeu e ainda me pagou, sério mesmo, enfiou a grana na minha cueca feito eu fosse uma puta, contará o taxista em outra ocasião aos risos entre uma cerveja e outra a seu novo amigo, o ainda inconformado vigia do prédio que não se chama J. Pinto Fernandes mas detém a posição de quarto-zagueiro no time do colégio.
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Outono, 1998.